domingo, 21 de agosto de 2011

ARTIGO:
Literatura e expressões identitárias (ELIENE SOUZA OLIVEIRA)

A literatura reflete e revela os valores, crenças e costumes de cada período histórico. A través das obras literárias pode-se perceber a cultura de um povo em determinada época. À medida que os escritores iam vivendo esses períodos, deixavam-os registrados. Sua obra era testemunha disso. As mudanças que, com o passar do tempo, iam ocorrendo eram refletidas na literatura.
Tendo sua origem na Grécia, a literatura se expandiu por outros países como Portugal e Brasil. Em Portugal ela teve início por volta de 1198, através da conquista das terras brasileiras pelos portugueses e principalmente nas viagens missionárias dos jesuítas no século XVI, chegou ao Brasil. A literatura Portuguesa influenciou muito a literatura brasileira. Os períodos literários portugueses foram divididos em: Trovadorismo, Humanismo, Renascimento ou Classicismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Simbolismo e Modernismo. Os períodos literários brasileiros acompanharam os de Portugal.
A obra literária brasileira teve por muito tempo a influência da literatura portuguesa. As tendências literárias foram trazidas ao Brasil pelos portugueses, na época da colonização. Com o passar do tempo a literatura brasileira adquiriu seu próprio estilo. A obra literária segue refletindo os valores e costumes de cada época, na medida em que foram sendo vividos cada período.
Além da literatura, os portugueses introduziram no Brasil sua língua, na qual sempre vem ocorrendo modificações, visando à unificação e simplificação dos sistemas ortográficos e com o intuito de aproximar mais o idioma dos países que falam o português. Segundo ALVIM (2000 p. 13):
Nem todos os países falam línguas que lhes sejam próprias. Se em Portugal se fala o português, em França o francês [...]. O nosso Brasil está colocado entre os países sem língua própria. Descoberto em 1.500 por Pedro Álvares Cabral [...] introduziram a sua língua. A língua própria do Brasil seria o tupi, falado pela maior parte dos nossos indígenas, mas o tupi foi inteiramente suplantado pelo português.
Diante disso, percebe-se que uma das principais influências culturais advindas de Portugal foi a língua. Porém, por ser dinâmica ela sofreu algumas alterações através dos contatos que as pessoas iam mantendo com grupos diferentes.
A literatura revela as relações do homem com o mundo e com seus semelhantes. Dentre os diversos temas focados na literatura brasileira, encontram-se assuntos que reflete a violência, que de certa forma surgiu como constitutiva da literatura brasileira. Desde a conquista, a ocupação, a colonização, o aniquilamento dos índios, a escravidão, as lutas pela independência, a formação das cidades e dos latifúndios, os processos de industrialização, o imperialismo, as ditaduras, entre outros, a violência sempre esteve presente.
Segundo BATISTA (2008) "a língua não é simplesmente um reflexo da realidade, mas produtora de cultura". Para ele a língua de Portugal, Brasil e os demais países que falam o Português precisa ser a mesma ou então desapareceremos culturalmente.
Para WILLER (2008) "a modalidade literária entre Brasil e Portugal foi se enfraquecendo ao longo do século XX devido influência de textos de alguns poetas brasileiros". Porém, atualmente muitos escritores brasileiros e portugueses vêm trabalhando para a consolidação da lusofonia.
O escritor utiliza a língua para compor uma realidade nova, mantendo uma relação com a vida em cada momento histórico. Ao longo da história da língua portuguesa a obra literária foi concebida de diferentes formas.
A língua portuguesa teve uma evolução importante. As tendências literárias de Portugal por muito tempo influenciaram a literatura brasileira. Mesmo ela adquirindo seu próprio estilo, e distanciando-se da de Portugal, ainda há traços de sua cultura. Atualmente escritores e linguistas procuram consolidar a língua e a literatura a fim de que haja uma aproximação maior entre os países que falam a língua portuguesa.

A Literatura em sala de aula

Vive-se numa sociedade marcada pelos contrastes. De um lado uma maioria populacional, condicionada à pobreza, e, de outro uma minoria economicamente e socialmente bem sucedida. Nesse contexto, vários resultados de pesquisas e estatísticas apontam níveis elevados de analfabetismo funcional, a ponto de apenas uma pequena parte da população chegar ao grau correspondente à capacidade de interpretar textos mais complexos. É comum ouvirmos dizer que, a sociedade brasileira escreve e se expressa mal, pois falta o hábito da leitura. Por conseguinte apresentam dificuldades de raciocínio, compreensão e interpretação da realidade. Este fato pode estar relacionado à crise da literatura, apontada por alguns estudiosos, como nos afirma a ensaista Leyla Perrone Moisés (1998, p. 15): "... a literatura fundamentada em valores, tal como concebida pelos modernos, ainda existe? (...) A literatura que durante séculos ocupara um papel relevante na vida social, tornou-se cada vez menos importante. (...) A literatura não desapareceu, mas recolheu-se a um canto".
Parece contraditório esse pensamento diante da imensa produção de livros que presenciamos na atualidade. Porém, o clássico jargão "quantidade não reflete qualidade" ainda se repete. Muitas vezes temos bons livros e não determinamos um tempo para uma boa leitura.
A literatura é feita pelo homem e por ele deve ser absorvida, independente das diferenças sociais, pois faz pensar, promove visões sobre o indivíduo, cultiva emoções, representa verdadeiramente a identidade de um povo, enfim, pode contribuir na luta pelos direitos do homem, fomentando a ideia de uma sociedade mais justa e, portanto, mais humana.
A identidade é construída a partir de um repertório cultural que se apresenta na sociedade, que pode se expressar como conhecimento científico, práticas artísticas ou religiosas. CASTELES (2000, p.22) caracteriza a identidade como “o processo de construção de significado com base em um atributo cultural, ou ainda, um conjunto de atributos culturais inter-relacionados, os quais prevalecem sobre outras fontes de significados”.
Sem dúvida, sendo a literatura a arte da palavra, a mesma deve estar na vida cotidiana de pobres e ricos, pois reflete sobre manifestações ficcionais que expressam os valores, a cultura e a identidade do contexto ao qual o homem pertence.


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